Ministros dos Estados-membros da União Africana reúnem-se em Luanda para preparar a 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo, dedicada ao reforço dos mecanismos africanos de prevenção e resolução de conflitos.
Luanda, 29 de Agosto de 2026 — A cidade de Luanda acolheu, este sábado, a 26.ª Sessão Extraordinária do Conselho Executivo da União Africana (UA), reunião ministerial que antecede a 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da organização, marcada para domingo, 30 de Agosto.
A sessão ministerial foi aberta pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, da Integração Regional e da Cooperação ao Desenvolvimento do Burundi e Presidente em exercício do Conselho Executivo da União Africana, Édouard Bizimana.
Na abertura dos trabalhos, o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, deu as boas-vindas às delegações e destacou a importância da reunião na preparação das decisões que serão tomadas pelos Chefes de Estado e de Governo.
Segundo Téte António, cabe aos ministros transformar as orientações políticas em propostas concretas, aplicáveis e realistas, criando condições para que os líderes africanos possam adoptar medidas destinadas a consolidar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento no continente.
O governante angolano apontou os conflitos prolongados, as instabilidades institucionais, as ameaças transnacionais e as fragilidades económicas e sociais como alguns dos principais desafios que continuam a afectar África.
Perante este cenário, defendeu o reforço dos mecanismos continentais de prevenção de conflitos, tornando-os mais proactivos e capazes de antecipar crises antes do seu agravamento.
Téte António apelou igualmente à consolidação de uma cultura de mediação credível e ao reforço da solidariedade entre os Estados-membros, que, no seu entender, deve traduzir-se em apoio político, técnico e financeiro.
Angola defende respostas práticas
O Ministro das Relações Exteriores sublinhou que os trabalhos da reunião ministerial devem produzir propostas consistentes e operacionais, capazes de ultrapassar o carácter meramente formal das recomendações.
“Cada iniciativa” deve, segundo o governante, ter aplicabilidade concreta e resultados verificáveis, privilegiando soluções que possam ser implementadas de forma imediata e acompanhadas por mecanismos de monitorização e avaliação.
Nesta perspectiva, considerou que a Cimeira de Luanda deve constituir mais do que um espaço de declarações políticas, contribuindo para a construção de respostas práticas e para o reforço da credibilidade da acção colectiva africana.
O responsável destacou ainda o papel do Comité dos Representantes Permanentes (COREP), cuja análise técnica dos dossiers e busca de consensos contribuíram para a preparação da reunião ministerial e para a conclusão dos projectos de documentos que serão submetidos à apreciação do Conselho Executivo.
Paz e reconciliação no centro da acção de Angola
Téte António afirmou que Angola, com base na sua experiência de reconstrução e reconciliação, considera a cooperação regional e continental como um dos caminhos para alcançar uma paz duradoura em África.
Neste contexto, destacou a actuação do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, enquanto Campeão da União Africana para a Paz e a Reconciliação em África, salientando que as questões da paz e da segurança têm ocupado um lugar central na sua acção.
O Ministro considerou que a realização da Cimeira em Luanda traduz essa visão estratégica e agradeceu ao Burundi, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana, por ter colocado a realização da reunião entre as suas prioridades.
Cimeira de Chefes de Estado acontece este domingo
A 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana realiza-se este domingo, 30 de Agosto, sob o tema “Reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos em África”.
A Cimeira deverá permitir aos líderes africanos avaliar a eficácia dos actuais mecanismos continentais de prevenção e resolução de conflitos, reafirmar a apropriação africana das agendas de governação, paz e segurança e reforçar o respeito pelos princípios e valores consagrados no Acto Constitutivo da União Africana.
Entre os resultados esperados está igualmente a definição de medidas políticas destinadas a melhorar a capacidade de resposta, a eficiência, a coerência e o impacto da implementação da Arquitectura Africana de Paz e Segurança (APSA) e da Arquitectura Africana de Governação (AGA).
A reunião ministerial conta com a participação de Ministros das Relações Exteriores e dos Negócios Estrangeiros dos Estados-membros da União Africana, representantes das Comunidades Económicas Regionais e dos Mecanismos Regionais, instituições financeiras africanas e dirigentes da Comissão da União Africana, incluindo o seu Presidente, Mahmoud Ali Youssouf.
No encerramento da sua intervenção, Téte António apelou a que os debates sejam conduzidos com rigor, franqueza e espírito pan-africanista, para que a Cimeira de Luanda represente um marco decisivo no reforço da paz, da segurança e da acção colectiva no continente.